Sobram obras. Falta mão-de-obra qualificada
Que o setor de construção civil vem apresentando crescimento econômico em ritmo acelerado no decorrer dos últimos anos, não é novidade. Algo que se origina de uma série de fatores, no qual se destaca o aumento no poder aquisitivo da população de baixa renda, aliado com o déficit habitacional apresentado no país e a oferta do crédito imobiliário, na maioria dos casos subsidiado pelo governo. Mas, apesar destes ventos favoráveis, as empresas que atuam no setor têm enfrentado um grande problema com a falta de mão-de-obra para suprir com a demanda.
Esta é uma realidade também em Brusque e cidades vizinhas. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do ministério do Trabalho referente ao setor no município, há mais de dois anos que o número de admissões permanece superior ao de demissões. Enquanto que 436 trabalhadores foram contratados entre janeiro e abril deste ano, 386 foram desligados. O percentual de trabalhadores que permaneceram nas funções ou foram contratados neste período, ultrapassa em quase 15% o de demissões.
No entanto, isso não é suficiente. A procura por mão-de-obra tem sido uma tarefa árdua, principalmente aquela qualificada. "Na área da construção civil está faltando muita mão-de-obra. Há uma grande procura, mas infelizmente está faltando profissional. E isso é na nossa região toda," comenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb), Renato José Lungen.
Segundo ele, uma das razões é o próprio crescimento que se apresenta em pelo menos dois anos consecutivos. A oferta de mão-de-obra não teria seguido o mesmo ritmo. "Quem anda pela cidade, nota a grande quantidade de prédios que estão sendo construídos e isso requer mais mão-de-obra", justifica o sindicalista.
Segundo dados do Sintricomb, outro item que mostra a carência de profissionais no setor está na queda de demissões registradas. Em média, o sindicato vinha registrando algo em torno de 70 rescisões de contratos de trabalho por mês, ao longo dos últimos anos. Nos meses mais recentes, esse número caiu de maneira significativa, atingindo a casa de 25 contratos rescindidos.
"O que temos notado são as empresas ligando aqui para o sindicato, pedindo se não temos trabalhadores que possamos indicar para trabalhar com elas. Essa procura acontece há mais de um ano".
Outro ponto que tem pesado na baixa contratação de profissionais, está na falta de qualificação. O setor da construção civil é conhecido pelo grande índice de trabalhadores com baixa escolaridade. Situação esta que vem mudando. No ano passado, a Associação Educacional do Vale do Itajaí-mirim (Assevim), em parceria com o próprio Sintricomb, criou um curso para formação de mestres-de-obras. Inicialmente foram abertas 20 vagas. O grande sucesso levou à abertura de novas turmas, que seguem com as aulas em andamento.



